Perguntas frequentes relacionadas com a Acupuntura

Como funciona a Acupuntura?

A Acupuntura é uma técnica que utiliza a capacidade natural do corpo de retornar à normalidade.
Os efeitos terapêuticos da Acupuntura são obtidos quando, através da inserção de agulhas sólidas e extremamente finas nos tecidos (normalmente a pele os músculos), o seu médico consegue modular o funcionamento do Sistema Nervoso, e através deste, do Sistema Endócrino, do Sistema Imunitário e das glândulas exócrinas.
O estudo dos mecanismos de acção da Acupuntura tem sido investigado desde a segunda metade do século XX, sendo atualmente um facto que a Acupuntura exerce os seus efeitos através da estimulação de terminações nervosas nos tecidos puncturados. Esta estimulação local provoca a libertação de uma série de substâncias que têm como efeito final o aumento da circulação local, com melhoria da oxigenação e do aporte de nutrientes aos tecidos. A este nível de actuação local há também estimulação da atividade do Sistema Imunitário.
A estimulação das terminações nervosas existentes na pele, músculo, cápsulas articulares, periósteo, provocada pela manipulação ou pela estimulação elétrica das agulhas (chamada electro-acupuntura) vai desencadear uma série de processos fisiológicos a nível da medula espinhal e do cérebro, que irão ser responsáveis pela acção terapêutica da Acupuntura.
A área que tem sido o principal objeto de estudo desde os anos 70 do século passado é a aplicação da acupuntura no tratamento da dor. O conhecimento dos mecanismos pelos quais a Acupuntura exerce os seus efeitos no tratamento da dor deu um passo enorme com os estudos realizados nos anos 70 pelo Professor Ji-Sheng Han, médico da Universidade de Pequim. Foi ele quem primeiramente provou que o efeito da electro-acupuntura é devido à estimulação da produção de opióides (substâncias produzidas pelo nosso organismo, que têm efeito analgésico) no Sistema Nervoso Central. Estes estudos iniciais, efetuados em coelhos, foram posteriormente confirmados em humanos na Suécia pelo Professor Lars Terennius, do Instituto Karolinska. Atualmente sabe-se que a acupuntura tem efeitos profundos a todos os níveis do sistema nervoso, desde os nervos periféricos, medula espinhal e cérebro, nomeadamente a nível do sistema límbico (um conjunto de áreas do cérebro relacionadas com as emoções), do hipotálamo e da hipófise, bem como do córtex cerebral. Foi também bem estabelecida a atuação a nível de um conjunto de áreas do Sistema Nervoso Central, que quando ativadas, inibem/ influenciam, a transmissão da dor desde a medula espinhal para o cérebro.

A Acupuntura é eficaz em todas as doenças?

A eficácia da Acupuntura tem sido um grande objeto de estudo desde o início deste século. Na Alemanha, onde a acupuntura é comparticipada pelos prestadores de cuidados de saúde, foram realizados estudos científicos com um grande número de doentes, que confirmaram a eficácia da Acupuntura no tratamento da artrose da anca, joelho, na lombalgia e cefaleia de tensão, dor crónica do ombro e em outras situações, como a dismenorreia. Outras situações clínicas continuam a ser investigadas.

o National Institute of Health dos Estados Unidos da América considerou em 1997 haver estudos suficientes para considerar a acupuntura eficaz no alívio da dor pós-operatória, dor pós-cirurgia dentária e nas náuseas (pós-quimioterapia e gravidez). Considerou ainda existirem evidências de que possa ser eficaz no tratamento da dor músculo-esquelética.

Para além da dor, que outros problemas podem ser tratados com Acupuntura? Como funciona a acupuntura nessas doenças?

Existe uma série de doenças que podem beneficiar do tratamento com Acupuntura. O seu médico poderá dizer-lhe se a sua situação clínica particular poderá beneficiar desta técnica.
O mecanismo de acção no tratamento da patologia funcional dos órgãos internos (problemas no funcionamento do estômago, vesícula biliar, fígado e pâncreas, intestinos, rins) ainda não está tão bem estudado como os efeitos no tratamento da dor. No entanto, já se começam a perceber esses mecanismos.
A acção no tratamento deste tipo de patologia baseia-se no processo de formação destes órgãos, durante o desenvolvimento embrionário. Cada estrutura do nosso corpo teve origem numa área específica do embrião. Estruturas que no adulto se encontram afastadas tiveram origem nas mesmas zonas. Estas estruturas partilham uma ligação. Os estímulos que são recebidos pelas terminações nervosas na pele, músculos, articulações e órgãos internos são transmitidos à medula espinhal. Estruturas que no embrião partilharam a mesma origem, transmitem esses estímulos para o mesmo nível da medula espinhal.
Por exemplo, os membros superiores partilham a mesma origem que o coração, pulmões e esófago e músculos e pele do tórax. Os estímulos provenientes destas estruturas são transmitidos para medula espinhal da coluna cervical. Esta informação é processada pela medula espinhal, sendo parte desta informação bloqueada e parte transmitida para o cérebro.
Os estímulos provenientes dos músculos, pele e outras estruturas influenciam o funcionamento do Sistema Nervoso Autonómico, que é a parte do Sistema Nervoso que controla o funcionamento dos órgãos internos. Esta acção faz-se de forma direta, no mesmo nível da medula a que chega a informação e indiretamente através da modulação da atividade do hipotálamo.
Quando um médico desenha um tratamento para uma patologia de órgãos internos, é tida em conta a origem embriológica de cada estrutura anatómica, e a zona da medula espinhal onde se originam os nervos autonómicos para cada órgão interno. Os locais de inserção das agulhas são assim selecionados tendo em conta estes dados. Assim, para tratar problemas pulmonares é comum escolher locais de inserção a nível do braço e antebraço, bem como a nível da face anterior do tórax e na região dorsal, perto da coluna vertebral. Esta escolha relaciona-se com o facto de que os nervos autonómicos que são responsáveis pelo funcionamento destes órgãos, bem como os nervos autonómicos que acompanham as artérias e nervos dos membros superiores se originarem na medula dorsal. No entanto, há ainda algumas acções que neste momento ainda não se podem explicar totalmente à luz dos conhecimentos atuais.

Quais os riscos da acupuntura?

A Acupuntura é uma técnica terapêutica, que deve ser integrada na Medicina, e não deve ser entendida como uma “Medicina Alternativa”.
Um dos maiores perigos que podem ocorrer quando se decide iniciar um tratamento com acupuntura é tratar patologias para as quais não há indicação. Quando se inicia o tratamento é imperativo ter previamente sido estabelecido um diagnóstico médico correto. Apenas um médico é competente para o fazer. É responsabilidade do seu médico investigar o seu caso clínico antes de o decidir tratar com acupuntura, pois o risco de mascarar sintomas e permitir a progressão de doenças graves deve sempre ser tido em conta, e o atraso no estabelecimento de um diagnóstico médico poderá ter consequências graves.
Em alguns casos o tratamento pode ser iniciado enquanto essa investigação é efetuada.
Nem todas as patologias ou casos clínicos têm indicação para tratamento e cabe ao seu médico decidir que casos podem ser tratados com Acupuntura. Algumas doenças podem ser tratadas exclusivamente com esta técnica terapêutica, ou em complemento de outros tratamentos (medicamentos, fisioterapia, cirurgia).

A Acupuntura tem efeitos secundários?

A acupuntura é uma técnica terapêutica muito segura, verificando-se que os efeitos adversos ocorrem fundamentalmente por má prática. É por isso fundamental procurar um profissional qualificado antes de decidir iniciar um tratamento. A Ordem dos Médicos definiu a formação específica que um médico deverá ter de forma a estar qualificado a praticar Acupuntura. Apenas após terminar um Curso de Pós-Graduação com pelo menos 300 horas um médico se encontra habilitado a praticar esta técnica. Em Portugal apenas 4 Cursos Universitários estão certificados pela Ordem dos Médicos.
Os efeitos adversos mais frequentes são ligeiros:
•    Hemorragia no local da inserção das agulhas: ocorre em cerca de 3% dos tratamentos. Pode ser minimizado com a compressão imediata  após retirar as agulhas e com a aplicação local de gelo
•    Dor com a picada: ocorre em cerca de 1% dos tratamentos,
•    Sonolência após o tratamento : cerca de 1% – este efeito é mais frequente e pronunciado nas primeiras sessões de tratamento, e por essa razão é conveniente não conduzir ou realizar atividades que o possam colocar em risco nas horas a seguir às primeiras sessões de tratamento.
•    Desmaio: acontece em cerca de 0,5%, sendo extremamente raro quando o posicionamento durante o tratamento é adequado (o posicionamento mais frequentemente utilizado é a posição de deitado)
•    Agravamento passageiro dos sintomas: entre 1 a 2 % dos casos há um agravamento passageiro das queixas, que pode durar 28 a 72 horas. O seu médico aconselhará o que deve fazer nesta situação
Os efeitos adversos graves são muito raros (menos de um por cada 10.000 tratamentos) e podem ser:
•    Infecções cutâneas
•    Lesões de nervos periféricos
•    Exacerbação de asma
•    Convulsão
•    Lesões de órgãos: pleura e pulmão, coração e pericárdio, vasos sanguíneos, medula espinhal e tronco cerebral
•    Transmissão de doenças infecciosas: Hepatite B, HIV, condrite auricular, endocardite, sepsis, artrite séptica, abcessos
As infecções cutâneas e as lesões de nervos periféricos e de órgãos são complicações geralmente associadas a má prática, com más condições de higiene e má técnica de inserção. Foi verificado que o conhecimento detalhado da anatomia é fundamental para evitar estas complicações. Os Cursos de Acupuntura certificados pela Ordem dos Médicos formam adequadamente os médicos nesta área.
Atualmente são usadas agulhas descartáveis, de uso único, pelo que a probabilidade de transmissão de doenças infecto-contagiosas é praticamente nula, desde que sejam tomados os cuidados adequados.

Existem locais mais e menos perigosos para a colocação das agulhas? Quais?

A inserção de agulhas sobre o tórax, na projecção da pleura e do pericárdio, na região dorso-lombar sobre a área dos rins, sobre o abdómen e sobre a área do fígado, coloca riscos de lesão destes órgãos.
Podem ocorrer lesões graves quando se inserem agulhas na nuca, pelo risco de lesão medular ou do tronco cerebral. Também os nervos periféricos e as artérias podem ser lesionados.
O conhecimento detalhado da anatomia é fundamental para evitar este tipo de lesões graves.

É costume haver sangramento após o tratamento?

Os casos de hemorragias grandes são muito raros. É comum após retirar uma agulha surgirem algumas gotas de sangue, que são facilmente resolvidas com pressão local e eventualmente com a aplicação de gelo. Em doentes que estejam a fazer medicação anti-agregante plaquetária ou hipo-coagulantes o risco de hemorragia é maior.

A inserção das agulhas é dolorosa?

A inserção das agulhas pode ser ligeiramente dolorosa. Poderá sentir uma picada ligeira durante a inserção inicial da agulha na pele. Também quando as agulhas penetram nos músculos poderá sentir uma sensação de dor mais profunda e difusa. É uma sensação normal, que é desencadeada pela estimulação das terminações sensitivas da pele, da fascia e dos músculos. Após se terminar a inserção, a agulha não deverá provocar desconforto, caso isso aconteça deve alertar o seu médico.

É necessário algum cuidado especial antes de uma primeira sessão?

Antes de se iniciar um tratamento com Acupuntura, o seu médico deve verificar se existem ou não contra-indicações para o tratamento e se este tratamento pode trazer algum benefício ao doente?
É fundamental que seja colhida uma história clínica detalhada das suas queixas e antecedentes e que lhe seja explicado como decorrerá o tratamento. O seu médico poderá pedir o seu consentimento informado e comunicar a outros médicos que o tratem que irá proceder ao tratamento, pois a Acupuntura poderá interferir com o efeito terapêutico de alguns medicamentos.

Tenho um outro problema de saúde. Poderei ser tratado com Acupuntura?

Antes de iniciar o tratamento deverá informar o seu médico quanto às situações que se seguem ou doutras situações. O seu médico decidirá se na sua situação clínica o tratamento poderá ser efetuado.
– Se tiver epilepsia ou tiver tido crises convulsivas,
– Se tiver pacemaker ou outro dispositivo elétrico implantado,
– Se tiver alguma alteração da coagulação,
– Se estiver a tomar anti-coagulantes ou qualquer outra medicação,
– Se tiver problemas nas válvulas do coração ou outros riscos de infecção,
– Se tiver sido operado para tratamento de uma fractura e tiver material metálico implantado,

Que outros cuidados deverá ter o meu médico antes de iniciar o tratamento?

Antes de decidir iniciar um tratamento com Acupuntura, o seu médico deverá ter em consideração se você tem fobia de agulhas; se foi você quem decidiu procurar o tratamento; se tem alguma preocupação com o tratamento.
O tratamento deverá decorrer numa sala com boa ventilação e possibilidade de regular a temperatura, com boa iluminação e num ambiente calmo. Durante o tratamento deverá permanecer bem posicionado, de preferência deitado, numa posição confortável. Durante o tratamento o seu médico deverá manter-se perto de si, ou dar-lhe a possibilidade de facilmente o chamar.

Antes de iniciar o tratamento o meu médico deve pedir o meu consentimento?

Ainda que não seja legalmente exigido consentimento informado antes de iniciar tratamento com esta técnica terapêutica, será conveniente que o seu médico o esclareça sobre todos os detalhes de um tratamento com Acupuntura, podendo pedir-lhe que assine um documento de Consentimento Informado.

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Para quaisquer outras perguntas, escreva-nos na info@acumedic.eu e ou ligue-nos para +351 96 6109323

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